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crn4>histórico
da profissão
As
Raízes
Ao tentar traçar as raízes da profissão de
Dietista/Nutricionista no mundo, surgem vertentes diversas.
O registro mais antigo da educação final na carreira da Nutrição é feito
no Canadá, levantado no "Centro de Classificação Profissional e Ocupações
Técnicas" onde aponta a atuação de Irmãs da Ordem de Ursulinas em
Quebec (1670), depois em Ontário (1867), no ensino da Economia Doméstica.
O primeiro curso universitário de formação de dietistas data de 1902 na
Universidade de Toronto. A primeira Dietista profissional foi nomeada
no Canadá em 1907 para o Hospital da Criança Doente, em Toronto.
Outra vertente conduz a Florence Nightingale, considerada fundadora da
enfermagem moderna e também da profissão de Dietista, pelo seu desempenho
admirável na assistência aos feridos da Guerra da Criméia (1854) em Scutari,
onde instalou cozinhas funcionais, para fornecer-lhes alimentação adequada
e preparar dietas indicadas a enfermos graves. Entretanto, já em 1742,
na "Royal Infirmary", hospital de Edimburgo (Escócia) se preparavam
dietas para casos especiais. Parece válido afirmar que o exercício pioneiro
de dietética deu-se nas clínicas de antigas universidades européias, ao
tempo do surgimento da ciência da nutrição. Renomados professores médicos,
interessados em estudos espeçificos, instruiam enfermeiras, que eram treinadas
nas cozinhas do hospital no preparo de dietas especiais.
O mesmo ocorreu nos Estados Unidos (1890) no John Hopkins Hospital e depois
(1893), no Hospital Presbiteriano da Filadélfia, quando a designação Dietista
foi aplicada para este tipo de atividade.
Outras vertentes voltam-se para a importância dada ao tratamento racional
do alimento, como fator econômico, em decorrência da 1ª Guerra Mundial
(1914), quando a provisão alimentar dos exércitos e de outras coletividades
constituiu-se em grandes problemas, incentivando estudos científicos e
cursos específicos relativos a conhecimento de nutrição.
Na Alemanha, pesquisas puseram em evidência a necessidade do emprego do
alimento de forma balanceada. Trabalhos relativos a alimentos foram publicados
em 1914 na Itália e na Inglaterra Conselho de Pesquisas Médicas
do Ministério da Agricultura, corroborando com tais estudos. Em 1915,
a Sociedade Científica de Higiene Alimentar de Paris, foi declarada de
utilidade pública, tendo seus estatudos reformulados, incluindo uma comissão
intrnacional de abastecimento. Essas Medidas incentivaram a criação dos
cursos de Economia Doméstica e Ciências Sociais com enfoque em conhecimentos
de Nutrição.
Em 1915 foi criado no Japão o Centro de Estudos de Alimentação, iniciando,
em 1919, um curso de Dietética.
Em outubro de 1917, em Cleveland (EUA) um grupo de 58 pioneiros que desejavam
colaborar com seu país no programa alimentar de guerra, reuniu-se para
constituir a primeira Associação Profissional de Dietistas: a Associação
Americana de Dietética (A.D.A.). Suas integrantes possuiam dois anos de
curso com conhecimentos de Nutrição e Administração de Serviços de Alimentação
para Coletividades. Seu lema: "Quam plurins prodesse" (Beneficiar
tantos quantos possível). Seus objetivos: Melhorar a Nutrição do ser humano;
desenvolver a ciência da Nutrição e Dietética; promover educação em Nutrição
e áreas afins.
No período de 1917 a 1918, foi criado o "State Seminary for Home
Economics"Uppsala (Suécia), treinamento profissional para dietistas,
empregadas em Serviços de Alimentação de larga escala e em hospitais,
sendo que, em 1924, também as Forças Armadas do país passaram a empregar
Dietistas.
Em 23/04/1923, foi criada na Dinamarca, durante Congresso realizado em
Conpenhagen, a Associação de Dietistas Administrativas.
Em 1923, a OSLN (Organização de Saúde da Liga das Nações - criada em 1923),
estabeleceu centros em Moscou e, em 1929 a URSS organizou o 1º Instituto
Científico de Odessa e outros similares em Rostov, Krakov, Kiev, Leningrado,
com investigadores dedicados ao estudo de Nutrição, onde colaboraram médicos,
economistas, engenheiros dando um enfoque científico, econômico e industrial
ao assunto. O Instituto de Odessa possuía cozinha experimental e dietoterápica
e um setor dedicado à conservação e valor nutritivo dos alimentos.
Também em 1923, foi criada a Organização de Saude da Liga das Nações que,
em continuidade, organizou, 20 anos depois, a Organização das Nações Unidas
(ONU) na Conferência de São Francisco (1945) e, sob a sua édige, a Organização
para Agicultura e Alimentação (FAO), com sede em Roma e, a Organização
Mundial de Saúde (OMS) em 1946, instalada no Palácio das Nações Unidas,
em Genebra, Essas organizações muito contribuem para a divulgação e execução
de programas específicos ligados à produção, distribuição e estudos sobre
alimentos, patrocinando cursos e incentivando a formação e aperfeiçoamento
do profissional Nutricionista e de outros integrantes da equipe de saúde.
Em 1926, o professor Pedro Escudero criou o Instituto Municipal de Nutrição
em Buenos Aires - Argentina, após acompanhar os avanços da ciência da
Nutrição em outros países, notadamento nos Estados Unidos. Em 1933, criou
a Escola Municipal de Dietistas, a qual foi elevada a nível universitário
com a criação de "Instituto Nacional de la Nutricion", oferecendo,
em 1939, bilsas de estudo aos países latino americanos, constituindo-se
assim, num marco na formação de nutricionista na America do Sul.
Em 1927, foi aprovado o 1º Programa de Estágio Prático nos Estados Unidos
e, em 1930, houve um Congresso de Dietistas em Toronto (Canadá), onde
compareceram 2000 profissionais. O 1º Congresso Internacional de Dietética,
realizado em Amsterdam (Holanda), em 1952, Pelas Associações ali representadas,
revelou formação profissional muito heterogênea em duração de cursos,
disciplinas e áreas de atuação, ainda que visando primordialmente assuntos
de dietética e, mantendo-se dentro de um critério institucionalizado,
retratando momentos do surgimento e etapa da evolução da profissão nos
países de origem citados: registrando a criação, ao longo do tempo, de
cursos na índia, China, áfrica do Sul e outros países da áfrica, Austrália,
Indonésia, Israel, Líbano, Coréia, Filipinas, México, América Central
e América do Sul. Isto indicava a difusão e interesse mundial em assuntos
da Nutrição, mormente após a II Guerra Mundial.
No Brasil
Uma equipe de nutricionistas brasileiros elaborou um exaustivo trabalho
sobre a profissão, mostrando a importância da dietista no mundo moderno
e o amparo que lhe é dado pelos governos de países civilizados.
O trabalho esclarece que a "profissão de nutricionista nasceu nos
centros maiores e foi sendo absorvida nas funções para que fôra criada,
de acôrdo com as solicitações da época: educação nas escolas, alimentação
nos hospitais e nos restaurantes populares".
O trabalho resumido da equipe de nutricionistas formadas
mostra às autoridades competentes o que significa o nutricionista e que
papel desempenha na comunidade, principalmente nos países ainda em desenvolvimento,
como é o caso do Brasil.
O interesse pela nutrição no Brasil evoluiu particularmente nos últimos
30 anos.
Passou a nutrição e alimentação do âmbito de simples interesse individual
à coletivo e evoluiu no sentido de constituir problema de governo. E ampliou-se
de tal maneira que deixou de ser curiosidade científica para se firmar
como tema mais importante de ordem médico-sanitária e social. E mais,
conseguiu até ultrapassar a esfera da exclusiva preocupação médico-sanitária
para se tornar assunto de magna importância particularmente dos economistas
e políticos. Com a nutrição evoluiria o seu destino.
E, como se antecipou no Brasil interesse pelo ensino da nutrição; pois
cabe a essa classe de técnicos o nutricionista o papel relevante
de ensinar à coletividades os fundamentos de uma alimentação racional.
Um povo que desconhece os princípios fundamentais da Nutrição não está
preparado para competir com outros povos na corrida pelo desenvolvimento,
seja no campo econômico, cultural ou político.
Em 1932, Franklin Moura Campos, mais ligado à escola americana e aperfeiçoado
nos centros europeus, começou os seus trabalhos de nutrição experimental
e as atividades de ensino de pós-graduado em São Paulo. Ao mesmo tempo,
o fazia no Rio de Janeiro, o Professor Annes Dias com estudos e publicações
sobre matabologia e diabetologia clínica.
Coube a São Paulo, por iniciativa da Secretaria de Agricultura e Educação
no Departamento de Ensino Profissional, a instalação do primeiro curso
de Dietistas em nosso país, dirigido por Pompeu do Amaral. Um ano após,
em 1939, Paula e Souza, na Universidade de São Paulo, instalou curso semelhantede
Nutricionista e também o de formação de Educadoras e Visitadoras de Alimentação,
cursos estes funcionando na Faculdade de Higiêne e Saúde Pública daquela
universidade.
No Rio de Janeiro , em 1939, o Instituto de Aposetadoria e Pensões dos
Industriários (IAPI) criava pequeno curso com a finalidade de formar auxiliares
de alimentação e orientar os seus servidores nas questões alimentares.
Em 1944, já criado o SAPS, instala-se o primeiro curso de nutricionista,
curso este que evoluiu, pelo interêsse do professor Dante Costa e até
hoje é centro de intercâmbio entre os países latino-americanos, formando
nutricionistas que voltam a trabalhar em seus países.
Em 1944, fundou-se a Escola Técnica de Assistência Social, que no ano
seguinte incluía entre os seus cursos o de nutrição; hoje o Instituto
Municipal de Nutrição da Guanabara tornou-se um grande centro de educação
e assistência alimentar de crianças e adolescentes, e o seu curso de graduação
de nutricionistas evoluiu pelo interêsse de J.J. Barbosa.
Sob os auspícios da Universidade do Brasil, encontrava-se o Instituto
de Nutrição. Nele instalou-se, desde 1946, o curso de graduação de nutricionistas,
tendo como seu organizador e incentivador o professor Rubens de Siqueira.
Além do curso de Nutrição foram finalidades do Instituto: trabalhos de
pesquisas biológicas e sociais e estudos ligados a problemas e patologia
de nutrição. Em 1952, inicia-se um curso de nível superior nos padrões
do da Universidade do Brasil, na Escola Americana de Porto Alegre.
Outras iniciativas no ensino são representadas pela Escola de Nutrição
da Universidade da Bahia, criada em 1956, sob a inspiração do professor
Adriano Pondé, como centro de formação e aperfeiçoamento desses técnicos
para aquela região. Em 1957, o professor Nelson Chaves deu novas oportunidades
ao Nordeste criando a Escola de Nutrição na Universidade de Pernambuco,
entregando-lhe técnicos de nível universitário capazes de atuar em vários
setores e contribuindo desta maneira para a melhoria dos problemas da
Nutrição que afligem esta zona. Este curso funcionava ao lado do Instituto
de Nutrição da Universidade de Pernambuco, campo de treinamento para estes
futuros profissionais, Instituto que deu dado à luz estudos realmente
de valor no campo da pesquisa experimental e patologia nutricional regional.
Verifica-se assim, que, no Brasil, o ensino de Nutrição veio acompanhando
as tendências e necessidades da época, no mesmo critério da formação profissional
dos países pioneiros, atingindo o ápice com reconhecimento em curso universitário
superior pelo Conselho Federal de Educação, aprovando o seu currículo
mínimo em 19 de outubro de 1962. É, sem dúvida, um marco na história da
profissão de nutricionista que, assim, se firma dentro do quadro profissional
geral do Brasil e em relação a outros profissionais de outros países e
especialmente da América Latina, colocando-se em posição de vanguarda.
* Este texto foi retirado do Livro Histórico do Nutricionista
no Brasil - 1939 a 1989
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